26 de fev de 2016

A certificação WELL e o case Setri A certificação WELL e o case SETRI

A certificação WELL e o case Setri Imagem enviada por pela Arq. Luiza Junqueira e Eng. Eduardo Straub A certificação WELL: Criada pelo IWBI – International Well Building Institute e lançada oficialmente em fevereiro de 2015, a certificação WELL é a primeira focada na saúde e bem-estar das pessoas e atua de forma consonante e complementar a outros processos de certificação ambiental, tais como o LEED ou o Living Building Challenge. Há anos, diversas pesquisas internacionais demonstram que o maior custo de uma edificação comercial são as pessoas que as habitam, chegando a representar 92% do total. Dos 8% restantes, 6% representam os custos de operação e manutenção e somente 2% os custos de projeto e construção. Neste sentido, o IWBI acredita que os edifícios não devem ser melhores apenas para o planeta, mas também para as pessoas que os habitam, aproveitando o ambiente construído como um veículo de melhoria da saúde humana, bem-estar e conforto, melhorando os padrões de qualidade de vida e consequentemente o desempenho dos ocupantes. Semelhante ao LEED, o WELL possui 102 características descritivas e de desempenho classificadas entre pré-condições (obrigatórias) e otimizações (opcionais), que somadas devem satisfazer uma quantidade mínima e determinar o nível da certificação que varia entre prata, ouro ou platina. O conjunto de características esta subdividido em 7 áreas de avaliação: Ar, Água, Alimentação, Iluminação, Saúde física, Conforto e Mente e juntas trazem benefícios para os principais sistemas funcionais do corpo humano: Cardiovascular, digestivo, endócrino, imunológico, tegumentar, muscular, nervoso, respiratório, ósseo e urinário. O processo de certificação é compreendido em 5 passos; registro do projeto na plataforma WELL online, envio da documentação, verificação de performance, certificação e recertificação. O processo de verificação de performance, diferentemente das outras certificações como o LEED, exige uma visita técnica ao projeto, na qual o Assessor well realiza inspeções visuais e testes de desempenho para avaliar a qualidade do ar e da água, níveis de ruído, iluminância e temperatura entre outros parâmetros, chamado de comissionamento WELL. Se os resultados do processo de verificação demonstrarem que o projeto atende a todos os requisitos, o projeto então está pronto para ser certificado. Além disso, com o objetivo de manter os mesmos níveis de qualidade projetual, manutenção e operação ao longo do tempo, o projeto deve ser recertificado a cada 3 anos.   Relacionado: Estudo avalia a Saúde, Bem-estar e Produtividade nos Escritórios    Exemplos de boas práticas em prol do bem-estar do ocupante do edifício O case Setri: O primeiro case em andamento da certificação WELL no Brasil é o escritório da SETRI em São Paulo.Localizado em um edifício existente, construído no início da década passada, e a tipologia escolhida para a certificação foi em Interiores Existentes. O projeto possui algumas particularidades e, para atendimento da certificação, uma serie de adaptações que não envolveram reformas e obras foram necessárias. Além disso, esse projeto é um dos menores em área construída deste tipo no mundo, o que por alguns momentos facilitou, mas em outros tornou o processo mais complexo. A sede da empresa SETRI é um escritório comercial de 50m2 de área total construída. A empresa possui somente três ocupantes, todos sócios, o que facilitou a implantação de alguns dos procedimentos e políticas que são exigidos pelo WELL. Além disso, por tratar-se de uma empresa cujo core business é desenvolver serviços ligados a saúde e qualidade de vida das pessoas dentro das edificações, a SETRI entendeu que esta seria uma boa oportunidade para demonstrar sua preocupação com o tema. Seu knowhow facilitou bastante na aplicação e atendimento dos requerimentos, principalmente no que tange a qualidade da água. Hoje o projeto encontra-se no segundo round de revisão da documentação, realizada pelo GBCI, mesma instituição que realiza a auditoria para a certificação LEED. Após esta etapa, o WELL exige que seja feito o comissionamento, ou verificação de performance, realizado por um assessor autorizado. Esse comissionamento ocorre no local do projeto e é verificado na prática o atendimento das adaptações nos sistemas prediais do projeto, nas políticas da empresa e em coletas de amostras para realização de testes de qualidade da água e do ar. O projeto da SETRI atende a todas as precondições, que são obrigatórias para atendimento minimo da certificação, bem como soma uma série de otimizações, que caso aprovadas resultarão em uma classificação ouro. Para adaptar o escritório, uma série de mudanças físicas e comportamentais, como a mudança de velhos hábitos, foram incorporadas. Algumas dessas mudanças foram: • Instalação de filtros mais eficientes no sistema de ar condicionado, associado a equipamentos que monitoram os níveis de umidade relativa do ar e acionam dispositivos que garantem a correção para níveis adequados de conforto, ora umidificando, ora fazendo a desumidificação; • Substituição de todas as lâmpadas, visando atender uma coloração mais confortável para o desenvolvimento de tarefas dentro de um escritório e para favorecer o rítmo circadiano, responsável pelo relógio interno existente em humanos e animais e sincronizar as funções fisiológicas no ciclo de 24 horas; • Instalação de iluminação de tarefa e ventiladores de mesa que proporcionam conforto e autonomia a cada um dos usuários; • Instalação de equipamentos que monitoram os níveis de qualidade do ar e iluminância; • Substituição de todos os produtos e equipamentos de limpeza e higiene pessoal, bem como treinamento dos ocupantes e equipe de limpeza para novos procedimentos de manipulação e uso desses produtos. A importância de treinar os ocupantes, bem como formalizar essas informações em políticas do escritório, garante que a informação perdure no projeto e não vá embora com as pessoas; • Instalação de novo mobiliário e adaptação do mobiliário existente para garantir melhor ergonomia e conforto além de mobiliário que garanta maior flexibilidade e movimentos físicos aos usuários como estações para trabalhos para tarefas de pé e pequenas bicicletas ergométricas embaixo das mesas; • Instalação de vegetação para maior contato do usuário com a natureza, incorporando os conceitos de biofilia; • Implantação de uma série de políticas que visam a mudança de hábitos de alimentação para padrões mais saudáveis, o incentivo a prática de atividades físicas e ao bem-estar, políticas de transporte alternativo, incentivo a práticas altruístas, a implantação de novos procedimentos de compras e descarte dos resíduos, entre outras Além dessas, uma série de outras adaptações foram implementadas no projeto e, um dos grandes diferenciais é que apesar dos testes de qualidade da água e ar serem necessariamente coletados pelo agente comissionador WELL e realizados por laboratórios acreditados, a SETRI se antecipou e realizou todos os testes necessários através dos mesmos laboratórios credenciados pelo WELL. Todos os testes atenderam aos níveis mínimos de qualidade exigidos. Exemplo de adaptação feito no escritório da SETRI   Entretanto, apesar de todos os esforços, uma das principais barreiras hoje para a viabilização desta certificação no Brasil, são os altos custos das taxas de registro, certificação e comissionamento pagas ao IWBI. Até junho de 2016 as taxas estão com valores reduzidos, visando incentivar novos projetos que busquem o WELL, mas essas taxas são proporcionalmente mais atrativas de acordo com a metragem construída, ou seja, quanto maior o projeto, mais barato por m2. Como o projeto da SETRI é particularmente pequeno, as taxas ficaram consideravelmente elevadas. Uma sugestão para que a certificação seja mais acessível em termos de custo para os padrões brasileiros é a de que os testes possam ser realizados nos mesmos laboratórios indicados pelo WELL e aceitos pela certificação sem a necessidade de se “importar” um profissional para realização desta tarefa. Além disso, o quanto antes o Brasil contar com profissionais capacitados para realizar esta tarefa de comissionamento, certamente este mercado se desenvolverá mais rápido. Além da questão financeira, ainda existem particularidades na certificação que não são habituais para a nossa realidade, tais como a necessidade de monitorar os níveis de ozônio no ar externo e oferecer produtos de alimentação de origem animal que possuam uma certificação classificada como Human Certified. Existem somente dois fornecedores deste tipo no Brasil e para produtos diferentes. Vale no entanto ressaltar que nenhuma dessas barreiras é um impeditivo real para a viabilização da certificação WELL no Brasil, e, se for implantada em um projeto certificado LEED ou que tenha sido construído seguindo práticas da construção sustentável, mais fácil sua obtenção. Como qualquer nova certificação, o WELL ainda esta em fase da maturação, porém deve evoluir rapidamente para minimizar as dificuldades e abranger melhor as diversidades de cada projeto e região. Não à toa, uma nova versão da norma, originalmente lançada em fevereiro de 2015, foi publicada em setembro do mesmo ano. A certificação WELL está na vanguarda e tem tudo para virar pratica padrão das empresas, principalmente daquelas que se preocupam de fato com a saúde e bem-estar de seus funcionários, e enxergam nisso a viabilização de reter talentos, reduzir turnovers a absenteísmo e aumentar a lucratividade. O Well já é realidade!   Por Arq. Luiza Junqueira e Eng. Eduardo Straub da StraubJunqueira A certificação WELL e o case Setri - 
SustentArqui -
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