29 de abr de 2012

Crea-RO alerta sobre a importância da manutenção do ar condicionado

Realmente me deixou mais animado, CREA de Rondônia realizando avaliação de sistemas de ar condicionado, não seria importante todos os estados fazerem o mesmo ? Vocês tem ideia das condições de alguns sistemas de ar condicionado que você frequenta todos os dias ?
Mais uma vez se fala na Legionella, pois bem, ainda existe confusão sobre esta importante bactéria.
Qualidade do Ar de Interiores como é tratada pela Portaria 3523 e RE09, não tem nada com a Legionella. Não será por estes dois mecanismos que vamos reduzir o risco da contaminação da Legionella.
Mas vale divulgar o que o CREA-RO está fazendo.

Sexta-Feira , 27 de Abril de 2012 - 15:14     
 
Uma das atividades fiscalizadas pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Rondônia (Crea-RO) é a manutenção de ar condicionado. O Crea-RO vêm alertar a sociedade sobre a importância de realizar periodicamente a manutenção desses equipamentos, pois a falta de limpeza poderá ocasionar diversos danos a saúde e levar ao surgimento de várias doenças, tais como, bronquite, desencadear crises de rinite, doenças respiratórias, como também, uma doença pouco conhecida e muito grave que pode levar o indivíduo a morte, a chamada Síndrome do Edifício Doente (SID).
Ao considerar a necessidade de manter a qualidade do ar de interiores em ambientes climatizados, o amplo crescimento da utilização de sistemas de refrigeração, a preocupação com o bem estar, saúde e o conforto das pessoas que ocupam ou transitam por esses locais, o Ministério da Saúde, através da portaria n° 3.523, do dia 28 de Agosto de 1998, determinou a criação de um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) para ambientes refrigerados. Este plano contém medidas básicas referentes aos procedimentos de verificação visual do estado de limpeza, remoção de sujeiras por métodos físicos e manutenção do estado de integridade e eficiência de todos os componentes dos sistemas de climatização para garantir a qualidade do ar de interiores e prevenção de riscos à saúde das pessoas que ocupam esses ambientes climatizados.
O Crea-RO está intensificando a fiscalização dos empreendimentos que possuem centrais de ar condicionado e sistema de refrigeração com objetivo de coibir o exercício ilegal da profissão, pois a instalação e manutenção destes equipamentos é uma atividade técnica do sistema Confea-Crea. As empresas e profissionais que atuam neste ramo são obrigadas a providenciar o registo no Crea-RO, bem como registrar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) periodicamente conforme Lei Federal 6496/77. “Com isso, o Crea atua no seu objetivo principal que é coibir o exercício ilegal da profissão com intuito de defender a sociedade dos maus profissionais”, disse o assessor de fiscalização, Siguimar da Cruz.
Síndrome do Edifício Doente (SED)
Em 1976, cerca de 200 legionários veteranos que comemoravam a independência dos Estados Unidos estavam reunidos em um quarto de hotel onde 182 pessoas foram detectadas com um quadro respiratório agudo. Desse número, foram a óbito 29 pessoas. Esse quadro foi denominado de Legionelose, onde pesquisas realizadas implicaram na descoberta da bactéria chamada Legionella, que havia sido aerolizada a partir do sistema de ar condicionado central do edifício.
A partir daí, a preocupação tornou-se mundial, e na década de 80, o comitê técnico da Organização Mundial da Saúde (OMS) passou utilizar o termo Síndrome do Edifício Doente (SED). Entre os principais sintomas estão a fadiga, dores de cabeça, ardência nos olhos, irritação no nariz, garganta, entre outros. O edifício é considerado doente quando cerca de 20% das pessoas que o ocuparam o local apresentarem alguns destes sintomas.
Em virtude disto, o Crea-RO alerta sobre a importância da constante manutenção no sistema de refrigeração afim de evitar que esses problemas tornem-se ameaças para as pessoas que freqüentam os locais que estejam climatizados.
obs: No artigo fala sobre contaminação da "legionella a partir da mesma ser eerolizda a partir do sietam de ar condicionado central do edifício".
Esta afirmação não é correta. Correto no caso foi que a Torre de Resfriamento que utiliza água, a mesma estava contaminada e produção de aerosol na torre foi espalhada pelo ambiente e foram estas gotículas de água que contaminaram os Legionários no hotel e nas ruas próximas.

27 de abr de 2012

Qualidade do Ar Interior - Dr Gustavo

Um excelente artigo do nosso amigo Dr Gustavo, vale a pena ler.


Qualidade do Ar Interior
Renovação do ar torna ambiente saudável

Gustavo Graundenz
(crédito: NT Editorial)
Gustavo Graundenz

A qualidade do ar dos ambientes interiores (QAAI) recebeu uma importância crescente nos últimos 30 anos, tanto no Brasil, quanto fora. Inicialmente, a QAAI era exclusivamente ligada ao conforto dos usuários. Com o passar do tempo, as evidências mostraram um papel bem mais importante. Várias relações diretas com a saúde e qualidade de vida foram apontadas e expandiram o seu escopo. Há ainda a necessidade de redução no consumo de energia das edificações sem diminuir a renovação do ar. A participação da QAAI funcionou como fator determinante de saúde em ambientes críticos como hospitais, casas de reabilitação, casas de repouso, creches, etc...
A legionella é uma bactéria que pode causar uma pneumonia grave se for inalada sob forma de gotículas de água contaminada. Ela é uma causa cada vez mais diagnosticada de pneumonia, aparentemente não porque aumentam o número de casos, mas sim a possibilidade de diagnóstico. Ela apresenta um paradigma, pois é uma bactéria muito encontrada na natureza (lagos, rios, solo, mar, água potável), entretanto é difícil de erradicar com os métodos tradicionais e tende a voltar rápido aos patamares iniciais. A Legionella é um tema ingrato, pois mesmo medidas de combate a bactéria muito agressivas ao meio ambiente podem ter resultados frustrantes a médio e longo prazo. Nos sistemas de climatização as instalações de torres de resfriamento e todas as fontes de aerosolização da água devem inibir o máximo possível a corrosão do ferro, a contaminação por algas e outros microorganismos que favorecem o crescimento da bactéria e a manutenção periódica da temperatura das fontes de água quente acima de 60 graus Celsius. Algumas empresas fazem uma combinação de análise de risco para proliferação da bactéria em conjunto com amostras de água para estratificar a necessidade de medidas preventivas ou de remediação. A não adequação implica risco elevado para surtos de legionelose a partir de um foco de exposição, como vários relatados no mundo, em especial no Estado Unidos, na Filadelfia em 1976, onde 221 pessoas foram infectadas e 34 morreram, devido a torre de resfriamento do Hotel Stratfordestar contaminada pela bactéria.
Atualmente desconheço qualquer legislação que leve em consideração essa situação. Observo entretanto que corporações multinacionais fazem análise de risco periódica para Legionella.
As consequências acarretadas pela falta de manutenção e renovação do ar em ambientes interiores são absenteísmo, questões judiciais de insalubridade ocupacional, aumento de doenças respiratórias infecciosas, em especial as gripes e resfriados, pois todos acabam respirando o mesmo ar várias vezes. As doenças alérgicas como a rinite alérgica e bronquite podem ter grandes aumentos nessas situações. Isso por sua vez traz custos de visitas médicas, medicamentos, queda na satisfação e produtividade relacionados ao trabalho. Ainda não é do interesse de grande parte do mercado de AVAC a adequação de normas no sentido do combate a Legionella em ambientes interiores, pois isso não agrega valor, somente custos adicionais. Somente pequenos nichos de empresas com preocupação social verdadeira pensam em abordar essa questão de forma mais sistemática, para a segurança de seu usuário.
A RE 09 é nossa primeira norma mais específica sobre qualidade de ambientes interiores. Ela traz parâmetros de umidade e temperatura de interiores, velocidade do ar, quantidade de material particulado aceitável, um indicar de renovação do ar e um número de fungos aceitáveis no ar. Ela serviu para ajudar a chamar a atenção dos locais climatizados para esse importante aspecto da saúde pública urbana. Esta na hora de renovar a legislação para poder torná-la mais eficaz.Também a NBR 16401 sobre sistemas de ar condicionado e qualidade do ar propõe medidas como: Taxas de renovação dimensionadas para a densidade ocupacional, tamanho do ambiente e atividade exercida no local; Níveis de filtragem do ar mais exigentes; Exigência de acesso facilitado a todas as partes dos sistemas de climatização para realização da manutenção e higiene adequadas; Ferramenta epidemiológica para acessar a percepção da qualidade do ar pelos usuários.
O futuro dirá como essas necessidades irão afetar o mercado. Diante de novos desafios, as pessoas geralmente dividem-se quanto às suas visões. Para os gestores cortadores de gastos, isso com certeza irá gerar dor de cabeça para equacionar as novas necessidades dentro de seu orçamento reduzido. Para os empreendedores, poderá representar uma oportunidade. Aqueles que perceberem as melhorias da QAAI como um investimento na direção da sustentabilidade podem agregar valor em seus imóveis e suas operações.

O conceito de sustentabilidade gira em torno de três objetivos: pessoas, planeta e benefícios. A QAAI é um ponto fundamental para todos os sistemas de certificação de edificações sustentáveis, sendo no sistema de certificação mais desenvolvido no Brasil – o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) um pré-requisito visando à manutenção da saúde e qualidade de vida dos usuários. Com a diminuição do impacto no ambiente através de consultoria e ações para certificação de sustentabilidade pode-se atingir o objetivo de atenuar o impacto das edificações sobre o planeta.

O terceiro e último ponto: os benefícios vêm tanto de forma direta, pelo aumento de valor agregado do imóvel (podendo reverter em valor de venda e locação), como pela diminuição dos valores de condomínio, e mesmo pela valorização de produtos e serviços produzidos em locais sustentáveis. Os benefícios indiretos são a diminuição das faltas ao trabalho por motivos de saúde, melhor produtividade e qualidade de vida dos usuários.

Gustavo Graudenz - Médico, PhD do Departamento de Ciências Médicas Gestão Ambiental e Sustentabilidade- PMDA Universidade Nove de Julho

26 de abr de 2012

LEGIONELLA no BRASIL ?????

Mais uma vez venho escrever sobre o tema Legionella no Brasil.
Cada dia que recebo informações de amigos ou pessoas do meio técnico e fico muito preocupado com as informações equivocadas que muitos ainda possuem.
Hoje escutei alguém dizer que no Brasil os casos de pessoas contaminadas pela legionella no Brasil são raras.
Grande equívoco, pois no nosso pais não existe estatísticas e tão pouco controle sobre este grande problema. Então afirmar que não oferece perigo é leviano e perigoso.
Ainda escuto pessoas de alto nível técnico, confundir a bactéria Legionella com a Qualidade do Ar de Interiores, tema que deve ser avaliado com muito cuidado.
Repito a todos que a bactéria Legionella existe no Brasil é uma bactéria perigosa e não deve ser deixada de lado.
Se vamos achar que fazer análise da água é a resposta, todos estão equivocados. O trabalho correto é realizar uma avaliação de risco na Unidade, para depois decidir que procedimentos devem ser feitos para minimizar os riscos. Análise simples da água pode dar a FALSA SEGURANÇA, quando o resultado é Não Detectado.
Lembro que não existe risco zero para a Legionella.
Cuidado com afirmações equivocadas, isso pode levar a conclusões totalmente erradas. Não se brinca com uma bactéria do tipo legionella.
Existem normas, procedimentos, protocolos médicos etc... em vários países, no Brasil exite a sensação de que aqui nada passa.
A ASHRAE acaba de publicar a nova recomendação técnica sobre o tema.
O Brasil é uma pais que possui água e terra. A Legionella vive na água e na terra.
Se você tem dúvidas, estamos a disposição para ajudar.

25 de abr de 2012

Legionella - Phigenics

Phigenics Research Challenges Accuracy Of Conventional Legionella Testing Protocol

Newly Published Research Paper Demonstrates Test Inaccuracies Due To Sample Holding Time

NAPERVILLE, Ill., April 19, 2012 /PRNewswire/ -- Phigenics LLC, an innovative water management services company, announced today the publication of a research paper that demonstrates up to 33% false-positive test results for Legionella bacteria when following conventional sampling methods. A false-positive result means the test indicated Legionella was present in the water system at detectable levels when in fact it was below detectable levels at the time the sample was taken from the building water system. The greatest degree of error was found in utility water systems where 33% of 580 samples shipped from hundreds of building water systems showed false-positive results. There were also a significant number of false-negative results observed from many thousands of shipped water samples transported from hundreds of building water systems. "Inaccuracy in Legionella Tests of Building Water Systems Due to Sample Holding Time," was recently published by Phigenics in Water Research, the official journal of the International Water Association (IWA).
"The impact of the research is significant in that it provides robust statistical proof that results from conventional Legionella testing can be inaccurate and misleading," says Dr. William McCoy, Chief Technology Officer of Phigenics and Chair of ASHRAE Standards Project Committee 188, Prevention of Legionellosis Associated with Building Water Systems. "These inaccuracies can be eliminated by culturing the bacteria that causes Legionnaires' disease immediately after taking a water sample on-site at the facility location. This simple change in procedure eliminates the potential of bacterial amplification or decline in water samples during transport to the laboratory. Shipping water samples to the laboratory has been shown to cause inaccurate or misleading results from many building water systems."
"We are predicting significant increases in Legionella testing over the coming years in commercial and institutional markets due to new Legionella Hazard Analysis and Critical Control Point (HACCP) standards such as ASHRAE Standard 188P and others that are scheduled for official publishing over the next twelve months or so," says Ashton McCombs, President of Phigenics. "This research is very important because the last thing anyone wants is to be making Legionella treatment and control decisions based on inaccurate testing results."
"It is possible to culture bacteria immediately upon taking a water sample on-site at the facility location, and thereby completely eliminate testing inaccuracies caused by water sample transit time," says Dr. McCoy. "The problem historically has been that it was not commercially practical to implement on-site cultures at any scale. This is an important problem that Phigenics has solved by offering a field practical method to immediately start the culture on-site. Instead of shipping a water sample, the user ships the cultured bacteria. Starting the culture immediately also significantly reduces the time required before test results can be reported to the user. "
For a full copy of "Inaccuracy in Legionella Tests of Building Water Systems Due to Sample Holding Time," published in Water Research, or to obtain more information on Legionnaires' disease, go to http://www.phigenics.com/news/archive/.

14 de abr de 2012

LEGIONELLA - SETRI

Artigo Revista Climatização de Abril 2012
A Doença do Legionário é uma forma de infecção pulmonar e a sua causa, a Legionella, ocorre quando o hospedeiro (nós) respiramos gotículas de água (spray ou aerossol) contaminada pela bactéria. Muitos a associam com a contaminação através do(s) sistema(s) de climatização (ar condicionado), o que não é 100 % correto. 
A Legionella é uma bactéria que vive na água, ou seja, ela está nos lagos, rios, represas e até na terra. Podemos afirmar que a Legionella faz parte do nosso meio ambiente e está presente nos circuitos de água que nós utilizamos para poder viver.
A Legionella está entre nós todos os dias, inclusive no Brasil, onde muitas pessoas acreditam que por aqui ela não existe. Isso é um grande erro de entendimento. Como foi dito, a legionella vive na água, independe de que pais ou continente estamos falando.. 
A Legionella foi descoberta após uma grave mortalidade na Filadélfia, em um encontro dos Legionários, daí o nome Legionella. Ela provoca no ser humano alguns problemas sérios no aparelho respiratório, podemos ter a febre Pontiac (como um forte resfriado), pneumonia leve e até a pneumonia gravíssima que pode levar à morte.

Marcos d´Avila Bensoussan
(crédito: divulgação Setri)
Legionella não passa de pessoa a pessoa. Se adquire pela água pulverizada (pequenas gotículas) que através da respiração vai para o nosso aparelho respiratório, provocando as doenças já citadas. Como nós, humanos, usamos a água de várias maneiras, os locais de maior probabilidade de haver contaminação são: Torres de Resfriamento, Chuveiros, Fontes Decorativas, Spas, Pulverização de água em locais públicos, Consultórios Odontológicos (através do motor que injeta água pulverizada), Sistemas de nebulização de água e tantos outros processos que pulverizem a água e que possamos respirar as suas gotículas. Podemos ver que a legionella pode estar em todos os locais que frequentamos, como Hotéis, Shoppings, Hospitais, Restaurantes, Fábricas e sem dúvida até na rua. Isso porque pode haver no ambiente, partículas de água contaminada e podemos respirar e ficar doente. Lógico que não vamos entrar em pânico, mas este fato pode ocorrer.
Lembro também, que existe o grupo de risco. O grupo de risco são os homens, idade acima d e45-50 anos, fumantes, ou qualquer pessoa com problemas de saúde, ai não importa idade ou sexo. No Brasil não existe estatísticas, no mundo em alguns países existe um controle mais detalhado. O número de pessoas que vem ao óbito é elevado. O número de pessoas que ficam com a Febre Pontiac ou somente com a pneumonia é muito maior, mas não existe números precisos. Pela minha experiência, creio que o número de óbitos no Brasil pela Legionella pode ser de 1000 a 2000 pessoas. O tema Legionella é tão grave e importante que a National Geografic a considerou como uma das cinco maiores  epidemias mais graves existentes, em uma programa levado ao ar em 2009. Como no Brasil não existe um acompanhamento oficial, mas os números são assustadores (foi tema de um trabalho que apresentei com alguns colegas em Chicago, em 2007).  Para minimizar o risco da Legionella,o mais importante é a realização de uma Avaliação de Risco (Risk Assessment) no local (fazer somente com pessoas habilitadas e capacitadas), para definir o seu nível. Este é o procedimento que todos deveriam usar (edifícios, indústria, shopping centers, hospitais, hotéis, todos que de uma maneira ou de outra possuem fonte que tenha pulverização de água). Outro ponto importante é que a Legionella, estando na partícula de água, pode ser arrastada por vários quilômetros e contaminar pessoas bem distantes do local infectado (o caso mais impressionante aconteceu na França em uma refinaria de petróleo, onde pessoas a quase 10 quilômetros foram contaminadas). Outro ponto importante é que não existe lei para tratar a água de um sistema de resfriamento, mas todos tratam e por quê? Porque se não tratar os equipamentos vão ter problemas e se perde dinheiro. No caso da Legionella podemos perder vidas e deixar pessoas doentes. No Brasil, a maioria dos responsáveis das Unidades que podem trazer riscos, não fazem nada porque não tem lei. Isso é um grande erro.
Não podemos deixar de pensar que todos nós estamos no meio ambiente onde a Legionella vive e se prolifera em equipamentos que foram construídos pelo homem.
Vincular a Legionella exclusivamente ao ar condicionado é polêmico. Inclusive a história da Qualidade do Ar de Interiores apareceu por um equívoco técnico na época. Não que o que temos no Brasil (Portaria 3523 e a RE09) não sejam importantes, mas na época em que o então Sr. Ministro Cesar Motta faleceu, falaram que ele teve Legionellose provocada pelo ar condicionado do seu gabinete em Brasília. Ele pode ter falecido pela Legionella, entretanto, este não foi o único fator responsável pela sua morte (foi mais um fator, porém, não foi o único), mas não foi o ar condicionado que gerou a Legionella. Com esta confusão, foi que o Ministério da Saúde lançou as portarias da Qualidade do Ar de Interiores, pois pensaram que o ar era o culpado (inclusive nas resoluções não se fala quase nada sobre Legionella). O ar condicionado pode, eu disse PODE ser o condutor das partículas de água contaminadas, e não o gerador. Se a tomada de ar externo estiver próxima a uma torre de resfriamento, pode arrastar as partículas para o local onde o sistema de ar condicionado esteja operando. No caso de Filadélfia, ocorreu exatamente isso, muitos se contaminaram dentro dos seus quartos (pelos dutos) e muitos na rua, respirando as partículas de água que vinham da torre de resfriamento no topo do edifício (hotel). O que sim, temos que fazer, é analisar o risco de contaminação e a água.
Temos hoje a Portaria 3523 e a RE09 do Ministério da Saúde/Anvisa. Isso ao olhar do mundo é fantástico: um país como o nosso preocupado com a saúde e bem-estar das pessoas que estão utilizando locais climatizados, ou seja, querem reduzir os riscos de enfermidades e outros problemas. Isso é muito bom, mas como todos deveriam fazer, começa o famoso jeitinho de como burlar este procedimento tão importante. A questão é que muitas empresas fazem PMOC e as análises somente para cumprir tabela, usam pessoas desqualificadas, laboratórios que não fazem a análise corretamente, ou seja, estão enganando a si próprios. Além disto, pensam que fazendo somente análise da água para saber se tem Legionella ou não é o suficiente. Não é suficiente, fazer análise da água é parte do processo de Avaliação de Risco. Nenhum laboratório tem competencia para definir onde coletar amostra, quais medidas a serem tomadas etc..., somente um Risk Assessor tem esta competencia. Fazer análise de legionella e dar resultado negativo, em nenhuma hipótese o risco não existe. Para mim este é o maior perigo, a “Falsa Segurança” e o contrario é o mesmo, deu Legionella, não quer dizer que o risco é enorme. Legionella sempre será um risco, o que fazemos é minimizar o risco e nunca eliminar o risco.  
Precisamos reduzir os riscos, fazer avaliação de risco (Risk Assessment) e não só análise da água. Contratar somente pessoas capacitadas, pois qualquer erro pode ser pior que não fazer. Hoje na Europa existe lei rígida sobre o tema, nos Estados Unidos existem procedimentos. Havendo pessoas doentes e se houver uma investigação, a fonte que provocou poderá ser responsabilizada, independente de lei ou não. Não vamos fazer as coisas só porque é lei, o importante é ter respeito ao ser humano, minimizar risco de alguém ficar doente ou vir a óbito é nossa responsabilidade como profissionais.A consciência dos Gestores de Segurança, RH, Facilities, Engenharia e outros trabalhar para a prevenção, a saúde e o conforto das pessoas. Alguns casos que aparecem na mídia, podem ser casos de Legionella, mas como não existe um protocolo adequado, as análises não são feitas. Um exemplo recente, foi o caso de uma pessoa que faleceu em um navio de turismo a outras 10 pessoas forma internadas. A pessoa que faleceu, teve o óbito por pneumonia e os demais ficaram internados com febre alta, dor no corpo e outros sintomas bem parecidos com a Febre Pontiac e a Pneumonia provocada pela Legionella. Mas bem possível que este tema nunca se chegue a uma conclusão. Em minha opinião este caso tem chances bem grandes de ser um surto de Legionella no navio em questão (poderia ser nos chuveiros, spa ou outra fonte que tenha a formação de spray ou aerossol). Uma avaliação de risco, vai auxiliar em muito que menos pessoas tenham a enfermidade provocada pela Legionella, análise da água simplesmente, pode dar uma falsa segurança.

Marcos d´Avila Bensoussan-Engenheiro Químico da SETRI - Especialista em avaliação de risco da Legionella

11 de abr de 2012

LEGIONELLA E SEUS RISCOS

Na revista INFRA deste mês o tema Legionella e seus Riscos.


                         http://www.revistainfra.com.br/digital/141_abril2012/#/56/zoomed