10 de nov de 2014

Quatro mortos e 180 infetados por legionella causam pânico na população

O medo é que o surto não pare. E o pânico começa a tomar conta dos hospitais e da população. Ninguém consegue explicar a origem do surto de legionella, que já causou quatro mortes e 180 infetados.
Reservatórios e condutas de água, sistemas de ar condicionado de espaços comerciais, de hotéis, de empresas e até de casas, fontes de ornamentação, tudo está a ser analisado ao pormenor no concelho de Vila Franca de Xira. A população espera angustiada por resultados, mas a origem do surto pode até nunca vir a ser determinada.
Ao início da noite de domingo, havia 180 casos notificados, dos quais 160 confirmados laboratorialmente. A bactéria, que provoca pneumonia grave, já matou quatro pessoas, com idades entre os 59 anos e os 81 anos. Outras 26 estavam nos cuidados intensivos. O quinto óbito, que chegou a ser admitido pelo diretor-geral da Saúde a meio da tarde de domingo, não foi confirmado.
Nas freguesias de Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa há pânico e revolta. É ali que vive a maioria das pessoas infetadas. Não se fala de outra coisa, a palavra legionella entrou-lhes pela casa dentro há quatro dias e não há meio de sair. Há ruas com mais de uma dezena de moradores infetados.
A maioria está internada no Hospital de Vila Franca de Xira, mas a afluência àquela unidade de saúde tem sido tanta que foi necessáriotransferir mais de três dezenas de doentes para os hospitais centrais da Grande Lisboa. É preciso criar espaços para que Vila Franca de Xira possa continuar a receber doentes, explicou o ministro da Saúde, admitindo que nos próximos dias vão surgir novos casos.
"Estamos perante uma situação anormal", reconheceu Paulo Macedo, depois de horas reunido com peritos e responsáveis das áreas da Saúde e do Ambiente. O ministro classificou o surto como "de grande dimensão em termos europeus e mundiais" e remeteu para hoje novo balanço.
Sem resultados à vista, as autoridades apressaram-se a tomar medidas de prevenção na zona afetada.Domingo, voltou a ser reforçada a quantidade de cloro na rede de distribuição de água para tentar eliminar as bactérias, foram desativadas fontes de ornamentação e solicitadas novas colheitas para análise em novos pontos de fornecimento de água e de torres de refrigeração, esclareceu a DGS em comunicado.
o final do dia, as autoridades decidiram ainda encerrar as torres de refrigeração das principais fábricas da zona afetada com vista a proceder à respetiva desinfeção e desincrustação. A decisão, explica a DGS, "resulta das análises preliminares feitas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e assenta nos dados fornecidos pela georreferenciação dos casos ocorridos na zona em causa".
Por outro lado, a Direção-Geral da Saúde considera que não existe fundamento científico que justifique o encerramento de escolas porque a bactéria não infeta, em regra, crianças e jovens com idades até aos 20 anos.
Porém, a Câmara Municipal decidiu tomar cautelas e anunciou que vai encerrar provisoriamente os equipamentos desportivos e suspender as aulas de Educação Física nas freguesias mais afetadas pelo surto. O presidente da Autarquia, Alberto Mesquita, informou ainda que foram desligados os sistemas de rega e as fontes ornamentais da Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Vialonga.

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