7 de fev de 2012

Qualidade do Ar de Interiores - Belo Horizonte - Minas Gerais

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06/02/2012
Ar-condicionado é reprovado em 70% dos estabelecimentos
Bactéria presente em equipamento matou ex-ministro Sérgio Motta, em 98
Rafael Rocha
A falta de manutenção tem transformado os aparelhos de ar-condicionado em uma armadilha para a saúde de quem frequenta locais de grande aglomeração na capital. Um levantamento feito pela Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte revelou que 70% dos estabelecimentos fiscalizados pelo órgão foram reprovados, principalmente em relação à limpeza.

Desde 2003, a lei determina referenciais de qualidade do ar em ambientes climatizados (veja quadro), mas, na capital, a maioria das empresas não está cumprindo a lei. Dos 144 locais visitados pelos agentes da prefeitura em 2011, 103 foram autuados por não cumprirem algum item da legislação. Nenhum estabelecimento foi interditado no período.

Dentre as irregularidades encontradas pela vigilância, estão a falta de avaliação biológica, química e física das condições do ar, além de manutenção e limpeza dos aparelhos de ar-condicionado. A própria Vigilância Sanitária assume a gravidade dos dados. Por meio de nota, a gerente do órgão, Mara Machado, informou que "a falta de manutenção dos sistemas pode comprometer a qualidade do ar e consequentemente acarretar doenças".

No caso do ex-ministro das Telecomunicações, Sérgio Motta, a falha na manutenção do equipamento custou sua vida em 1998. A bactéria Legionella - que se aproveita do ambiente úmido e com baixas temperaturas para se desenvolver nas bandejas de ar-condicionado - provocou uma pneumonia fatal no ministro.

Especialistas consultados pela reportagem avaliaram que o problema é grave, já que a falta de manutenção nos equipamentos facilita a reprodução de fungos e bactérias que, em casos extremos, podem levar à morte. "A gente sabe que as empresas não ligam muito para isso. Casos graves são raros, mas quando acontece mata até ministro", informou o alergista e imunologista Ataualpa Reis.

A assessoria da secretaria de saúde informou, que no foco da fiscalização municipal estão hotéis, motéis e Centro de Tratamento Intensivo (CTI) de hospitais. No entanto, todos os locais que possuem ar-condicionado, como bancos, indústrias, cinemas e consultórios, são passíveis de fiscalização. No entanto, a pasta não informou detalhes sobre os locais escolhidos para a avaliação dos equipamentos no ano passado.

A importância de se ter um ar-condicionado saudável é apontada como fundamental pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Meio Ambiente e Controle de Qualidade do Ar de Interiores, José Marques Hoenen. Segundo ele, os micro-organismos são carregados pela poeira, depois "surfam" pelo equipamento até o ambiente e atingem uma multiplicação concentrada. "Ao serem lançados no ambiente, os micro-organismos invadem o corpo de qualquer pessoa com baixa resistência", afirmou. Quadros de alergias diversas, rinites e sinusites também podem ter complicações devido às impurezas acumuladas nos aparelhos.

Há três anos, a vendedora Bruna Assis trabalha em shoppings e percebeu que, desde então, sua rinite só tem piorado. "Fico o tempo todo respirando esse ar e isso atrapalha minha rinite e, principalmente, minha sinusite. Preciso tomar antialérgico sempre", afirmou.
Fiscalização
Baixo controle incentiva o desrespeito

A especialista em microbiologia Cristina Carvalho, responsável por fazer avaliação química em sistemas de climatização de empresas, afirma que grande parte dos estabelecimentos não efetua a limpeza devido à precariedade da fiscalização. "Ela (fiscalização) ainda não é rigorosa e tem sido centrada em lugares de maior impacto, como hospitais", informou. Consultada, a Vigilância Sanitária disse que "todos os locais de grande circulação de pessoas foram vistoriados".

O clima brasileiro, de acordo com Cristina, é um dos fatores que também faz com que a manutenção em aparelhos de ar-condicionado demande atenção de especialistas.
Ela alertou ainda para o controle de umidade e temperatura, que deve ser rigoroso. "Nossa temperatura é inconstante, de manhã é quente, à tarde pode fazer frio. Sempre encontro aparelhos com temperatura desregulada", disse

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